Vocação


O Fio da Aranha

Era um dia de manhã, sentados à mesa grande da sala da nossa casa, partilhávamos sobre o caminhar na fé e os desafios de viver em nossa cultura e sociedade fragmentadas. E ele dizia que nossa existência está presa por um fio que ao mesmo tempo nos segura e ao mesmo tempo nos faz balançar. E, nesse momento, suspensa da parede da sala, uma pequena aranha desceu até ao jarro de barro que estava no centro da mesa. E desceu no fio ‘invisível’ da sua teia, segura e ao mesmo tempo balançando, como uma acrobata.
Esse fio que segura nossa existência e ao mesmo tempo nos faz balançar, podemos chamá-lo vocação, Reino de Deus, consagração, fé, identidade, fio da essência, fio da vida. Foi bom ver a palavra demonstrada nesta coincidência feliz da pequena aranha que desceu, veio até ao jarro, no nosso meio, e voltou a subir tranquila para a mesma parede, junto do teto. Foi tão real que, na despedida, um disse para o outro: “tu és uma aranha”.
As aranhas trazem dentro de si os fios da sua vida, o fio de sua vida. E elas os estendem e neles descem e sobem e com eles fazem suas teias, como seres ligados em fios da sua essência. São mais de 40.000 espécies (44.032 catalogadas, agrupadas em 112 famílias) e, exceto uma pequena quantidade, todas produzem teias. No ventre das aranhas se localizam as glândulas sericígenas, que produzem a seda de aranha, um tipo de proteína em estado líquido. Essa substância sai do corpo da aranha por uma espécie de minúsculos tubinhos, as fiandeiras, localizadas na parte de trás do abdômen. Quando a proteína líquida entra em contato com o ar, torna-se um fino fio de seda, com o qual a teia será construída. O fio da aranha combina leveza, força e grande elasticidade. Faz parte da identidade da aranha ter uma teia para se locomover, caçar, viver.
A nossa vida também tem um fio, o fio da nossa vida, o fio da essência. Nele nos seguramos e por ele balançamos, nos desafios de viver a vocação, a consagração, o Reino de Deus, na fé. Quando Deus criou o homem e a mulher, colocou dentro de nós uma condição original e única: que seja Ele o centro de nossa vida. Este é o fio da nossa vida que nos faz balançar e segurar. É com ele que tecemos nossa história, nossa teia, e é por ele e nele que permanecemos vivos, criativos, felizes. Assim é a vocação, a consagração, a presença do Reino em nós: estamos presos e balançamos no mesmo fio de amor que constitui a nossa segurança e a nossa insegurança, a nossa identidade sempre em processo de ser mais, para a plenitude.
Aranhas não secam, enquanto estão vivas, produzem fio e mais fio do seu ventre pequeno. Assim é a presença do amor de Deus em nós, é infinita, se renova a cada dia, nos constitui, nos sustenta, nos desafia e nos faz balançar.
(Continua...)
Pe. José Luís, CSh.


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