Vida Comunitária

A Comunidade nasceu para ser comunidade, para visibilizar a vivência do Evangelho pela partilha de tudo, numa vivência fraterna: partilha da fé, dos bens, da riqueza pessoal de cada um, do trabalho apostólico de Evangelização dos jovens.

A força que leva alguém a ser Comunidade é a riqueza da descoberta do carisma: viver o Evangelho no meio dos jovens, como pequena semente de libertação. A Comunidade nasce da fé e é dom, fruto da resposta ao chamado de Deus.

O nosso estilo de vida comunitária caracteriza-se por ser:
. Uma comunidade de fé, onde a vida tem como referência o seguimento de Jesus e a concretização do Reino, “pequena semente de libertação”.
. Uma comunidade familiar, de relacionamento na simplicidade, fraterno, amigo, alegre, próximo.
. Uma comunidade profética, para ser interpelação das pessoas, do pensar e do agir.
. Uma comunidade inserida, com um jeito leve de se organizar, na dinâmica do provisório e na itinerância.
. Uma comunidade de missão, voltada para a evangelização dos jovens.
. Uma comunidade de crescimento, onde os membros se sentem desafiados à transcendência.

A vida comunitária feliz e fraterna é vivida por pessoas livres, que vão assumindo viver se transcendendo, fazendo experiência sempre maior do carisma, e se deixando encher da liberdade que nasce do ser de Deus, na fé.

O trabalho de crescimento humano é muito importante para a resposta livre na vida comunitária, para que a pessoa não se sinta ameaçada pelos outros, para que seja confiante e não viva projetando seus conflitos interiores nas relações comunitárias.

A vida comunitária tem sempre um certo nível de tensão/conflito que resulta da integração da individualidade de cada um com a vivência comum. Ninguém vai se reduzir ao que é comum e nem o que é comum vai se reduzir ao que é individual e particular. Este conflito se resolve quando a pessoa tem uma identidade boa: boa estima, boa compreensão de si mesma, de seus conflitos interiores e de suas riquezas e, ao mesmo tempo, um coração apaixonado pelo carisma, pelo dom de Deus, e comprometido na missão.

A vida comunitária é também conflitiva, porque o desafio de viver os valores do Reino está sempre dentro dela. É por natureza uma comunidade desafiada a ser mais, uma comunidade em discernimento, buscando respostas atuais, e isto pode gerar dentro dela uma dinâmica de crescimento, de crise, de conflito.

Parece não ser possível imaginar um membro da Comunidade vivendo sozinho, mesmo na missão de evangelizar os jovens.

Nossa vida comunitária deverá ter uma qualidade boa: comunidade orante, de estudo, partilha, vivência em clima de verdade, sinceridade e confiança, momentos de lazer e repouso, paixão pela evangelização dos jovens, alegria de ser chamado e estar respondendo. Isto é um processo que exige que os membros da Comunidade se tornem pessoas livres, conscientes, que assumiram por si mesmas doar suas vidas como gratuidade e serviço. A Comunidade é o lugar onde cada um vai ouvindo o chamado e respondendo.

A vida comunitária será sempre um desafio, às vezes até doloroso. A superação faz-se pelo desejo de ser livre no amor da experiência da fé. Enfrentar os desafios pelo diálogo e pela busca, amadurece e torna-nos livres. É preciso não esquecer que acreditamos na vida como processo de transcendência, tendo Jesus Cristo como meta de nossa existência e vivência do humano e do divino.

Fica a pergunta: Como fazer para que nossa vida seja de qualidade: concretização da liberdade do Evangelho e processo do Reino no mundo?

As nossas comunidades poderão e deverão estar abertas a acolher pessoas que queiram fazer experiência de nossa vida.

Comunidade de Belo Horizonte/2002

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Feita de luz é a vida comunitária, feita da luz do Senhor ressuscitado. Cada manhã, ao acordar, o Senhor nos desperta para o amor, para a comunhão. Ele nos une os corações e os passos na sua luz, na luz do seu amor.

Feita de cuidado é a vida comunitária. O Senhor cuida de nós com carinho e presença. A comunidade é feita de ternura, solicitude e misericórdia. O amor cuida.

Feita de partilha é a vida comunitária. Deus se doa para nós no vinho e no pão de cada dia, generoso e livre. Nos alimenta na vida comunitária. A vida comunitária é a eucaristia partilhada.

Feita de consciência é a vida comunitária, de valores assumidos, na ação e na avaliação, feita de inteligência, na busca da sabedoria da vida, da arte de viver.

Feita de projeto é a vida comunitária, projeto que nos faz sair de nós mesmos, para participarmos na ação do Reino do Senhor encarnado, morto e ressuscitado.

Feita de desafios e conflitos é a vida comunitária, no encontro da liberdade de cada um, das subjetividades, de muitos “pensares”, de muitos “fazeres”, de nossos limites, de nossas mágoas, de nossas raízes marcadas por ressentimentos, de nossas ilusões.

Feita de diálogo é a vida comunitária, de corações abertos à verdade, na busca do consenso, de pessoas livres de interesses particulares, pessoas livres no amor.

Feita de sonho é a vida comunitária: ela amplia a capacidade de sonhar das pessoas livres. Sonho da fé, da confiança, da esperança.

Feita de gratuidade é a vida comunitária, da doação do serviço, feita de graça, feita de perdão.

Feita de trabalho é a vida comunitária, de empenho, de responsabilidade, como uma construção que cresce se fazendo dia-a-dia, pelo empenho generoso de cada um.

Feita de busca é a vida comunitária, na disposição de crescer, no discernimento, nas opções coerentes e livres.

Pe. José Luís, CSh

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